O bom gosto do lucro

Por: Por Juliana Ribeiro, de Tapejara (RS)

De produtor a empresário, Wilson Zanatta fez das dificuldades do setor leiteiro um incentivo para construir seu império e crescer mais do que todos os concorrentes. Seu próximo alvo? A Parmalat

Wilson Zanatta: o veterinário criou a empresa, que, em apenas 17 anos, se tornou um dos maiores laticínios do País, com receita de R$ 1,5 bilhão

Há 17 anos, na cidade de Tapejara (RS), nascia uma pequena fábrica de laticínios, comandada por Wilson Zanatta, um jovem apaixonado pelo campo. Proibido pelos médicos de trabalhar sob o sol na propriedade da família que tinha uma pequena produção de leite, ele buscou outra atividade. Foi estudar medicina veterinária e logo depois viu a possibilidade de investir em um pequeno laticínio, que ele batizou de Bom Gosto. O que ele não imaginava era que os novos rumos que se viu obrigado a tomar o tornariam um dos maiores empresários do setor lácteo do País.

Hoje, a empresa produz quatro milhões de litros de leite por dia, com faturamento que chegou a R$ 1,5 bilhão em 2009. Esses números fazem da Laticínios Bom Gosto a maior processadora de leite longa vida do País e a terceira maior em volume de captação de leite, com 1,2 bilhão de litros por ano, ficando atrás apenas da Nestlé (2,05 bilhão) e da Brasil Foods (1,6 bilhão). “Começamos em um galpãozinho, eu, minha esposa e quatro funcionários”, lembra. Atualmente, são 3.500 colaboradores, 32 mil produtores integrados, 12 linhas de produtos e 22 unidades industriais no Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Mato Grosso do Sul. “Queremos chegar a dois bilhões de litros de leite até o final do ano”, calcula o empresário, que investiu US$ 30 milhões na construção de uma unidade no Uruguai, que deve ficar pronta até o final do ano e processará um milhão de litros de leite por dia. Embora ele não confirme, fontes do mercado apostam que ele poderá adquirir a Parmalat no Brasil.

O mais impressionante nessa trajetória é o crescimento vertiginoso que a empresa alcançou. De 2000 até 2008, a captação de leite passou dos 19 milhões de litros ao ano para 647 milhões, aumento superior a 3.000%, enquanto o faturamento saltou dos R$ 5 milhões para R$ 776 milhões, antes da fusão com o Grupo Líder Alimentos, que aconteceu em novembro do mesmo ano. O segredo? “Não tem receita, é trabalhar muito, valorizar seus parceiros, conhecer o setor e se preparar para os desafios”, conta Zanatta. Enquanto acompanha a acelerada expansão da empresa, seus concorrentes seguem de “cabelos em pé” diante do avanço do grupo que aproveitou a crise das rivais para ir às compras. Adquiriu a fábrica da Nestlé em Barra Mansa (RJ) por R$ 34 milhões, as operações da Laticínios Cedrense em Santa Catarina por R$ 64 milhões e a unidade industrial da Parmalat em Garanhuns (PE) por R$ 31 milhões. “Foi nossa estreia no Nordeste, um mercado cheio de potencial”, explica ele, que considera a unidade importantíssima não só do ponto de vista logístico, mas também para completar a participação da companhia no País. “Somos os únicos a ter unidades em quatro regiões do Brasil”, comemora.

 

 

Parceiros valorizados: em 1997, o produtor Nédio Genário produzia 300 litros diários com 20 vacas. Hoje, sua produção já é de 1,5 mil litros. “Crescemos com eles”, diz o produtor rural

A sede de mercado que torna a Bom Gosto o pesadelo da concorrência é algo que faz parte da lógica de mercado. “Eles sabem aproveitar muito bem as oportunidades que o setor oferece para melhorar a produção e investir em aquisições”, explica Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil. Para ele, o crescimento da empresa é a soma de investimentos acertados, boas oportunidades de compra e parceria com os produtores. A diversificação dos produtos oferecidos, incluindo achocolatados, leite em pó, creme de leite, manteiga e leite condensado, ajuda a empresa a expandir sua atuação e os ganhos. “Investir em um leque variado de produtos é útil para ganhar novos mercados, ter fôlego para fazer aquisições, investimentos e lucrar”, explica Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista e consultor da Scot Consultoria. Para Zanatta é impossível crescer sozinho e por isso ele recorreu ao financiamento do BNDES no valor de R$ 245 milhões, volume que tornou o banco dono de 35% do capital da empresa. “Ninguém cresce sozinho. Tive que dividir a participação e a gestão da empresa para continuar evoluindo.”

Mesmo com o crescimento vertiginoso da empresa, Zanatta não esquece de suas raízes. Por ter passado boa parte da vida no campo, ele bem sabe das dificuldades pelas quais o produtor passa e a importância deles no sucesso de seu negócio. “Investimos no fomento dos produtores para que eles melhorem a qualidade e o lucro, assim toda a cadeia ganha”, explica. Um dos exemplos é Nédio Antônio Genário, que em 1997 tinha uma produção diária de 300 litros com 20 vacas. Com as vendas para a Bom Gosto, o negócio prosperou. “Crescemos com eles”, explica o produtor, que hoje tem 60 vacas em lactação e produz 1.500 litros de leite ao dia. Muitas delas foram trazidas do Uruguai pelo próprio Zanatta e vendidas em melhores condições para Genário e outros produtores. Um dos pontos fortes desse crescimento é a política de incentivo à qualidade. “Eles pagam R$ 0,02 centavo a mais por litro para quem investe na qualidade da produção. Faz uma enorme diferença.” Quem também vem crescendo é Oberdan Scariot e seu pai, Wilson. Há um ano eles investiram na profissionalização da produção, que saltou dos 288 mil litros por ano para 906 mil litros, uma média de 75,5 mil litros mensais. O número os colocou entre os maiores fornecedores da empresa. O investimento de R$ 850 mil foi essencial para aumentar a produtividade e contou com incentivo da Bom Gosto no suporte técnico. O resultado é que a melhora da produção trouxe lucros e a possibilidade de fazer planos. “Queremos alcançar os 100 mil litros por ano”, planeja Wilson.

 

 

SEDE DE CRESCIMENTO

Em dez anos, a Bom Gosto viu seu faturamento aumentar mais de dez vezes, acompanhado pelo ganho na captação e pelas oportunidades de mercado

O mesmo incentivo que dá aos grandes produtores Zanatta proporciona aos menores, que hoje são 80% dos fornecedores da Bom Gosto e respondem por 33% do volume total captado pela empresa. Por isso ele aposta em ideias que os ajudem a melhorar a qualidade e a produtividade. “A média diária deles é de 200 litros ao dia”, conta Dilson Reginatto, gerente de política leiteira. Preocupado em melhorar o índice desses parceiros, Zanatta criouo Plano 300 para incentivar os pequenos produtores a investirem e alcançarem a média de 300 litros diários. “É o mínimo para que eles possam se sustentar com eficiência” explica o empresário. Para isso, a Bom Gosto oferecerá o suporte para a realização de análise da produção por especialistas e condições facilitadas de financiamento de equipamentos junto às instituições financeiras. Essas e outras iniciativas de Zanatta respondem em grande parte pelo sucesso estrondoso da Bom Gosto. Mas elas não param por aí. Em breve ele lançará o cartão de crédito Bom Gosto e tem outros projetos na manga. “Não queremos lucrar sozinhos. Sabemos que o nosso sucesso tem impactos em toda a cadeia e queremos vê-la prosperar também.”

Incentivo à qualidade: Wilson e Oberdan destacam o prêmio de R$ 0,02 por litro que a Bom Gosto paga ao produtor que investe em produtividade. Os dois têm a meta de atingir a produção de 100 mil litros/ano

 

 

 

 

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